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Heard é a capa de dezembro da revista GQ Austrália e nela contamos com um ensaio fotográfico incrível, juntamente com mais uma das ótimas entrevistas da Amber, confiram:

São 2h da tarde, um domingo em Gold Coast e Amber Heard está listando os vários motivos do porquê ela ama a Austrália. Penfolds Grange lidera a lista. “Eu amo vinho tinto.” diz Heard, “É o meu hobby, não ligo para o que os outros digam”

Vamos voltar 2 anos: Heard tinha acabado de ser expulsa do país por Barnaby Joyce (não pessoalmente, apesar de ele ter uma história de fanfarrão) por trazer Pistol e Boo ilegalmente pela imigração. Então, só para começar, já é uma surpresa ela estar na Austrália, ainda mais ela estar se apaixonando pelo lugar.

Ontem ela encerrou as filmagens de Aquaman, que sinalizou o fim de um trabalho de 7 meses. Elenco e equipe celebraram juntos com muitas garrafas de Grange e uma boa quantidade de Guinness também.

Profissionalmente, Liga da Justiça e Aquaman fazem de 2017 o ano mais produtivo da carreira de Amber. Desde seu divórcio e disputas legais que foram finalizadas com o ex-marido, Johnny Depp, em dezembro, houve muita atenção voltada para sua vida privada. Mas, através das adversidades, ela mostrou um tipo de força que inicia revoluções. Ela se posicionou firmemente quando outros se esquivaram.

No mês após nossa sessão fotográfica com a atriz de 31 anos, em LA, as inimagináveis acusações se concretizaram. Devido aos seus próprios problemas com Depp, não é surpresa alguma que essas manchetes estejam perturbando Heard. Mas ver mais e mais mulheres se defenderem e virem a público com os abusos que sobreviveram, assim como ela fez, é empoderador.

Com Amber, você pode ter certeza de algumas coisas. Primeiro, sempre vai haver faíscas em volta da texana – para usar suas palavras “eu nunca me esquivo da oportunidade de acender fogos de artifícios”. Segundo, seu senso de humor imoral está sempre por perto. Ela referencia The Rum Diary como “obviamente” seu filme favorito em que já trabalhou (foi quando ela conheceu e se apaixonou por Depp), e sua série de tweets a Barnaby Joice, oferecendo-lhe uma caixa de kiwis no auge do escândalo de sua cidadania, foram nada menos que ações de um gênio cômico.

Aqui está uma conversa sincera com a Mulher do Ano da GQ 2017, a senhorita Amber Heard.

Como tem sido seu tempo na Austrália?

“Tem sido maravilhoso. Eu tive má sorte visitando a Austrália no passado (risos) então é meio que uma visão do senso de humor negro do destino que eu recebesse o mais longo projeto da minha carreira profissional alocado aqui. No fim, foi uma benção porque me deu a oportunidade de realmente me apaixonar pelo lugar e refletir sobre a quantidade de sorte que eu tenho tido até agora.”

Então agora que tudo está resolvido com Barnaby Joice, você se mudará para Gold Coast?

“Babe, eu moro aqui. Esse é o filme que nunca termina e eu estou lentamente desistindo da noção de que nós algum dia o finalizaremos.”

Você estrelou em comédias, dramas, suspenses e agora você está prestes a estrelar como uma super-heroína em Liga da Justiça.

“Sim, é um território que eu ainda não havia atravessado. Então estou animada por ter a oportunidade de explorar um novo gênero e uma nova fã-base. Quando você está filmando diferentes gêneros de filme, as diferenças entre eles não são tão notáveis quanto se imagina. Por exemplo, soa estranho mas não é tão diferente filmar uma comédia e um filme de terror. Onde você sente a diferença é com os fãs. Fãs de quadrinhos são inerentemente diferentes do público mediano. Eles trazem uma forma especial de entusiasmo e energia com eles e eu tenho sorte e estou animada para não só para adentrar um novo tipo de filmagem mas para saber a reação que o filme promoverá nas pessoas. Essa é a verdadeira diversão.”

Porque filmes de super-heróis estão tão populares agora?

“Porque eles refinam o melhor e o pior da humanidade. Nossos heróis são a concentração de todos os elementos que fazem os humanos se sentirem durões. Tipo, o que faz os homens serem tão incríveis.”

“No final de um projeto, é legal ter algo nítido, real para ver?”

“Sim, mas eu não sou do tipo que gosta da apreciação atrasada. Eu gosto de sair segurando o prêmio, sair com o resultado em mãos. E é difícil ter que esperar um ano para poder assistir o resultado final do seu esforço.”

Você trabalhou com Nicole Kidman neste filme – como foi essa experiência?

“Nicole é uma das pessoas mais maravilhosas que eu já tive o prazer de conhecer. Ela só esteve aqui por um curto período de tempo, mas nesse tempo, eu pude conhecê-la muito bem. E ela é apenas a pessoa mais sensível, inteligente, real, pé no chão, sofisticadamente maravilhosa que você poderia esperar. Quero dizer, ela é uma pessoa incrível.”

E um outro ser humano incrível, Jason Momoa, ele parece ser uma absoluta lenda também.

“Absolutamente. Quero dizer, tente se divertir mais.”

Outro dia ele foi bastante criticado por um comentário que ele fez durante seu tempo em Game of Thrones. Ele veio e assumiu total responsabilidade. Por que mais homens não podem ser como ele, nesse sentido?

“Bem, eu não sei. Mas tudo o que posso esperar é que nós continuemos a forçar nossa consciência coletiva mais e mais em direção à justiça e equidade. E, coletivamente, eu acredito que essa pareça ser a tendência. Eu só posso esperar que nós continuemos a examinar publicamente nossos padrões e expectativas para como abordamos o assunto. E, especialmente, como lidamos ou aceitamos as pessoas que se posicionam criticando o status quo. Como nós lidamos com mulheres que vêm e falam “isso aconteceu comigo”. Como tratamos sobreviventes de abuso ou mulheres em geral. Só posso esperar que nós continuemos a analisar como aceitamos mulheres na cultura pop.”

Considerando tudo que está acontecendo em Hollywood com Harvey Weinstein, estar aqui na Austrália tem sido como uma pausa disso tudo?

“Sim. Uma pausa, de fato, eu tenho aproveitado a exaustão de trabalhar nada menos que 16h por dia. Com a cabeça baixa, cê sabe, no meu traje spandex salvando o mundo como uma heroína o faz. Tudo o que posso dizer é que estou grata pelo trabalho e por estar longe e separada do drama que está acontecendo em Hollywood. Estou longe de casa, mas em um lugar onde me sinto em casa, como um segundo lar. E estou passando muito tempo conhecendo a equipe. Acho que estou me apaixonando pelo ponto de vista da Austrália. Têm sido incríveis 7 meses. Conheci pessoas tão maravilhosas e estar aqui tem sido um presente de sorte.”

Mas deve ser devastador ver todas as histórias que estão vindo a tona e sendo reveladas, no momento. Como isso tudo tem se mantido em segredo por tanto tempo?

“Você coça a cabeça imaginando porque as mulheres passam por esse tipo de sofrimento, na maioria das vezes em segredo. Quero dizer, apenas olhe para como nós tratamos essas mulheres quando elas vêm a público? Nós temos uma longa história de desmantelar e desacreditar mulheres com facilidade em um palco público. Então, você pode entender porque pode ser tão intimidador dizer qualquer coisa, quer você seja homem ou mulher. É um clube também, um mundo pequeno. E, eu imagino que sendo tão pequeno, cria uma certa postura.”

Por que você acha que, nessa ocasião, as pessoas se pronunciaram?

“Eu não sei. Eu não faço ideia.”

Você acha que precisou algo como o Trump ser presidente para as pessoas se posicionarem contra a misoginia?

“Bem, eu acho que em um movimento, qualquer que seja, é necessário haver uma imprudência maior de mesmo peso para que realmente consiga aguentar.”

Considerando tudo pelo que você já passou, é difícil apreciar o fato de que você é um modelo para jovens garotos e garotas?

“Eu me sinto incrivelmente sortuda por estar em uma posição em que eu possa servir como um tipo de ajuda. Às vezes é um fardo considerar que sua vida não é mais apenas sua e não é privada. Pode ser difícil saber que você não pode funcionar ao todo – que a anonimidade não é mais um objetivo válido e suas ações e palavras, quer sejam ditas em um tapete vermelho ou nos mais íntimos cantos da sua vida pessoal, não são mais apenas suas. Essa é uma descoberta difícil de se ter. É algo sério mas você cresce e segue em frente, e colocado na balança eu considero toda a incrível sorte que eu tenho por estar nessa posição. É difícil ficar mal com isso por muito tempo.

É inconfortável as pessoas te chamarem de corajosa ou de inspiração, essencialmente por você se posicionar sobre o que você acredita?

“Você já conheceu alguma mulher na vida? É claro que eu não me importo. Eu amo isso! Eu sempre tento fazer minhas coisas honestamente e fazer o que é certo. Tudo pelo que eu me empenho na vida é nunca sofrer a tentação de tentar ser popular, querida, aceita. Isso nunca está perto do meu desejo de viver uma vida honestamente, com dignidade e orgulho. E eu não seria capaz de fazer isso se eu não estivesse vivendo honestamente, então eu nunca tive a tentação de viver de qualquer outra forma. Apesar do quão impopular meu posicionamento possa ter sido ou alguma postura que eu tenha tomado, eu o fiz com conhecimento disso. Não importa o quão impopular ou insustentável minhas decisões tenham sido, nunca foi tentador o suficiente viver de forma desonesta.”

Você já trabalhou com Charlize Theron e Nicole Kidman, assim como novos talentos, como Cara Delevigne. Como é trabalhar com essas mulheres maravilhosas?

“Eu me sinto muito sortuda de poder me inspirar por tantas mulheres. No meu trabalho, isso muda bastante, para o melhor. Eu tenho tanta sorte de estar viva agora, e poder dizer, honestamente, que eu posso olhar a minha volta e minhas colegas estão fazendo coisas inspiráveis e mulheres no meu meio – como Angelina, Charlize, Nicole, ou mais novas, como a Cara – não estão satisfeitas apenas indo para casa ao fim do dia ricas e famosas. Elas estão fazendo coisas coisas com suas vidas para mudar o mundo para suas filhas e deixar-lo um pouco melhor do que era quando elas tinham essa idade.”

O que feminismo significa para você?

“Feminismo é como religião – é um daqueles conceitos traiçoeiros que podem ser apenas o que você quer que seja. Você tira dele o que você quer. Ou o que você adiciona. Dependendo do contexto, da conotação, o feminismo pode mudar drasticamente. Eu amo ser mulher. Eu sou 100% mulher porque me identifico dessa forma. Eu sou uma mulher, então quero ser única. Equidade é a melhor forma de olhar para o assunto.”

É justo dizer que existe uma falta de bons modelos homens, em nossa atualidade?

“Não, eu não diria isso. Eu acho que o protótipo da humanidade ou masculinidade num sentido tradicional está sendo desafiado. Está sendo lentamente corroído, e nessa corrosão está delimitando e separando alguns elementos que caracterizam a masculinidade em um canto isolado. No isolamento eles se auto-ajustam. Nós vemos traços marginais da “masculinidade típica” projetadas em alguns atores. E no palco público, eles incorporam características super específicas da masculinidade sem uma representação completa do homem, não apenas na ficção, nos filmes, na arte, na televisão mas também nas figuras públicas.”

Quem são seus modelos de inspiração masculinos?

“Eu acho que ainda estou cultivando uma queda pelo Obama. Estou tentando me livrar disso, mas estou tentando ficar aberta a outras possibilidades.”

Um homem que definitivamente está quebrando essa barreira em termos de ser uma inspiração é Elon Musk. Por que mais homens não podem ter esse tipo “eu consigo” de atitude, como ele?

“Eu não sei, apontaria para o deficit de personalidade a quem jovens garotos possam se inspirar.”

Entendo. Mas com tudo que tem acontecido em Hollywood, você está torcendo para que isso seja o início do fim para o que tem ocorrido?

“Vou me posicionar dessa forma, eu estou nas linhas de frente, e planejo continuar nessa posição na luta para fazer com que as coisas mudem. Não tenho nenhuma expectativa de deixar minha espada de lado tão cedo.”

Scans:

Ensaio fotográfico:

Bastidores:

Bastidores:

 

 

Tradução & Adaptação: Equipe AHBR

Publicado por Nora Bueno em 16 de November