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Em novo artigo para o The Washington Post, divulgando ontem, 18, Amber Heard fala sobre abuso sexual, violência doméstica, política e sobreviventes LGBT. Confira o artigo traduzido a seguir.

Amber Heard é uma atriz e embaixadora dos direitos femininos na American Civil Liberties Union (União Americana das Liberdades Civis).

Eu fui exposta ao abuso em uma idade muito jovem. Eu sabia de certas coisas desde o começo, sem precisar ser contada. Eu sabia que os homens têm o poder — fisicamente, socialmente e financeiramente — e que muitas instituições apoiam esse arranjo. Eu sabia disso muito antes de ter as palavras para articulá-lo, e aposto que você aprendeu muito jovem também.

Como muitas mulheres, eu havia sido assediada e abusada sexualmente quando estava na idade da faculdade. Mas eu fiquei quieta — não esperava que as reclamações fossem feitas com justiça. E eu não me vi como uma vítima.

Então, há dois anos, eu me tornei uma figura pública representando o abuso/violência doméstica, e senti toda a força da ira de nossa cultura por mulheres que se manifestam.

Amigos e conselheiros me disseram que eu nunca mais trabalharia como atriz — que eu estaria em uma lista negra. Um filme que eu estava participand e reescalaram alguém para o meu papel. Eu tinha acabado de fazer uma campanha de dois anos como o rosto de uma marca de moda global, e a empresa me deixou. Perguntas sobre se eu seria capaz de manter meu papel de Mera nos filmes “Liga da Justiça” e “Aquaman” começaram a surgir.

Eu tive a rara vantagem de enxergar em um ponto de vista real, como as instituições protegem os homens acusados de abuso.
Imagine um homem poderoso como um navio. Como o titanic. Esse navio é uma grande empresa. Quando bate em um iceberg, há muita gente a bordo desesperada para remendar buracos – não porque acreditem ou se importem com o navio, mas porque seus próprios destinos dependem do empreendimento.

Nos últimos anos, o movimento #MeToo nos ensinou como esse poder funciona, não apenas em Hollywood, mas em todos os tipos de instituições – locais de trabalho, lugares sagrados (igrejas) ou simplesmente em comunidades particulares. Em todas as esferas da vida, as mulheres estão confrontando esses homens que são impulsionados pelo poder social, econômico e cultural. E essas instituições estão começando a mudar.

Estamos em um momento político transformador. O presidente de nosso país foi acusado de má conduta sexual, incluindo agressão e assédio, por mais de meia dúzia de mulheres.
A indignação com suas declarações e comportamento energizou uma oposição liderada por mulheres. #MeToo iniciou uma conversa sobre o quão profundamente a violência sexual afeta as mulheres em todas as áreas de nossas vidas. E no mês passado, mais mulheres foram eleitas para o Congresso do que nunca em nossa história, com um mandato para levar as questões das mulheres a sério. A fúria das mulheres e a determinação para acabar com a violência sexual estão se transformando em uma força política.

Temos uma abertura agora para reforçar e criar instituições de proteção às mulheres. Para começar, o Congresso pode reautorizar e fortalecer a Lei da Violência contra as Mulheres. Primeiramente aprovada em 1994, essa lei é uma das leis mais eficazes promulgadas para combater a violência doméstica e o assédio sexual. Cria sistemas de apoio para pessoas que denunciam abuso e fornece financiamento para centros de crise de estupro, programas de assistência legal e outros serviços críticos. Melhora as respostas da lei e proíbe a discriminação contra sobreviventes LGBTQ. O financiamento para o ato expirou em setembro e só foi temporariamente prorrogado.
Devemos continuar a combater a agressão e assédio sexual nos ambientes universitários, insistindo simultaneamente em processos justos para julgar as queixas. No mês passado, a secretária de Educação Betsy DeVos propôs mudanças nas regras do Título IX que regem o tratamento de assédio sexual e agressão nas escolas. Enquanto algumas mudanças tornariam o processo para lidar com reclamações mais justo, outras enfraqueceriam as proteções para sobreviventes de agressões e abusos sexuais. Por exemplo, as novas regras exigiriam que as escolas investigassem apenas as queixas mais extremas, e somente quando elas fossem feitas a funcionários designados. As mulheres nos campus já têm dificuldade em falar sobre violência sexual – por que permitiríamos que as instituições reduzissem os apoios?

Eu escrevo isso como uma mulher que teve que trocar de número de telefone semanalmente pois estava recebendo ameaças de morte. Durante meses, eu raramente saí do meu apartamento, e quando o fiz, fui perseguido por drones, câmeras e fotógrafos a pé, em motocicletas e em carros. Revistas e sites de fofocas postaram fotos de mim e as transformaram em uma luz negativa. Sentia-me como se estivesse em julgamento no tribunal da opinião pública – e minha vida e sustento dependiam de uma miríade de julgamentos muito além do meu controle.

Eu quero garantir que as mulheres que se apresentam para falar sobre violência recebam mais apoio. Estamos elegendo representantes que sabem o quão profundamente nos preocupamos com essas questões. Podemos trabalhar juntos para exigir mudanças nas leis, regras e normas sociais – e corrigir os desequilíbrios que moldaram nossas vidas.

Tradução e adaptação – Equipe Amber Heard Brasil.
Artigo Original: The Washington Post